A História da Psicologia da Educação

A História da Psicologia da Educação

A História da Psicologia da Educação

 

História da Psicologia da Educação é essencial saber um pouco da história, do surgimento desta ciência. Conhecer a história facilitará a compreensão de como as pesquisas da psicologia voltadas para temas ligados a realidade escolar e do processo de ensino aprendizagem surgiram ao longo da história.

Compreender o nascimento da Psicologia como ciência e suas interfaces e relação com os fenômenos educativos.

Você aprenderá muitos conceitos e fatos que, provavelmente, lhe são novos, espero que você esteja motivado para iniciar esta jornada que lhe auxiliará em seu futuro trabalho pedagógico e prática docente.

Psicologia: origem e conceito

Todas as pessoas, inclusive você, tem interesse em compreender os seres humanos que fazem parte se suas relações. Essas tentativas têm sido atividade natural dos seres humanos, praticada de forma informal, assistemática. Quando nos referimos as estas tentativas e práticas de compreender o comportamento humano estamos falando da Psicologia do Senso comum.

Segundo Bock (2003) o senso comum é o conhecimento intuitivo, espontâneo, de tentativas e erros, que facilitam a nossa vida cotidiana, ele vai do hábito à tradição e é passado de geração para geração.

Assim como em sua vida particular você tenta entender as pessoas de suas relações, em sua futura profissão de professor você deverá entender os seus futuros alunos. Esse entendimento, contudo não deve estar calcado no senso comum, mas sim embasado na Psicologia Científica.

A Psicologia enquanto ciência tem como objeto de estudo o comportamento humano, seu processo de desenvolvimento e a sua subjetividade e tem sua origem na Filosofia.

Desde a Antiguidade, os filósofos estudavam o comportamento e a subjetividade humana, contudo, usado outras formas de compreendê-los.

O termo psicologia tem origem grega, sendo derivada da junção de duas palavras – Psyché, que significa mente ou alma e Logos que significa razão ou estudo. Portando você pode concluir que Psicologia é a ciência que estuda a mente ou a alma.

Então, vejamos: como se define psicologia? Entre um número muito grande de definições você pode dizer que atualmente se conceitua psicologia como a ciência que estuda o comportamento e os processos mentais do ser humano.

Posto isso, podemos afirmar que a psicologia evoluiu da filosofia e construiu ao longo de sua história um método caracterizado como científico, para a construção de um corpo coerente e coeso de informações verdadeiras sobre o homem, seu objeto de estudo.

Pense comigo: admitir que a psicologia é uma ciência é também admitir que ela atualmente tem métodos específicos de seu domínio, para o estudo de seu objeto, o qual também já está definido, recortado da realidade como um objeto determinado e delimitado – o homem, seu comportamento e sua subjetividade.

Colocadas essas considerações, não há como você negar que o objeto de estudo da Psicologia, por sua própria natureza e essência, é amplo, em possibilidades, dando-lhe condições de desenvolver estudos sobre uma ampla variedade de temas.

Origem da Psicologia Científica

Continuando a contextualização do processo evolutivo da história da Psicologia como ciência, você não pode desconsiderar que, como todos os processos humanos, o processo de desenvolvimento de uma ciência, está intimamente relacionado às necessidades humanas de cada período histórico.

Você deverá ter em mente, também, que a concepção de ciência relaciona-se à ordem econômica e social, a um sistema de pensamento, de valores que caracterizam a sociedade como um todo.

A sociedade e o pensamento científico, no período do surgimento da Psicologia como ciência, ou seja, segunda metade do século XIX podem ser sintetizados da seguinte maneira:

  • O conhecimento cientifico é fruto da razão;
  • A observação rigorosa e objetiva dá a possibilidade ao homem de desvendar a natureza e suas leis;
  • Há uma grande necessidade dos homens construírem novas formas de produzir o conhecimento, ou seja, construir novos métodos para ciência;
  • O ser humano passou a ser compreendido como um ser livre, capaz de construir seu futuro;
  • Os dogmas religiosos foram questionados e em muitos casos substituídos por conhecimento cientifico, tornando o conhecimento independente da fé;

Ouvindo falar tanto em ciência, você deve estar se perguntando: o que isso tem a ver com a Psicologia? Para que você possa responder terá que perceber que a Psicologia científica não escapa das influências desse movimento histórico da ciência em geral.

Especificamente, algumas descobertas no campo da Fisiologia, Neuroanatomia e Neurofisiologia são bastante relevantes para o avanço da Psicologia científica.

Os primeiro psicólogos buscaram seguir as determinações das ciências de seu tempo, dando surgimento ao que se denominam as primeiras abordagens ou escolas psicológicas. Essas abordagens são: o Estruturalismo de Wilhelm Wundt (1832 – 1920) e Edward Titchner (1867 – 1927, o Funcionalismo Willian James 1842 – 1910), e o Associacionismo de Edward Thorndike (1874 – 1949).

Estruturalismo:

Podemos considerar Wilhelm Wundt como o pai da Psicologia científica, ele recebe esse título por ter fundado, em 1879, o primeiro laboratório de Psicologia na Universidade de Leipzig, Alemanha. A psicologia só se tornou uma ciência independente da filosofia graças a Wundt, nos finais do século XIX.

Wundt criou o que, mais tarde, Segundo Bock (2003), seria chamado de Estruturalismo. O objeto de estudo do Estruturalismo era a estrutura consciente da mente, tendo como principal objetivo descobrir tudo sobre a estrutura e o conteúdo da mente humana.

Seus pesquisadores sustentavam que cada totalidade psicológica compõe-se de elementos (sensações, imagens e sentimentos) que se encontram justapostos, associados entre si.

Essa escola psicológica não contribuiu significativamente para a Pedagogia e extinguiu-se com a morte destes pesquisadores, de modo que dedicaremos apenas poucas palavras a ela, apenas para que você possa compreender a relação desta com as demais.

Funcionalismo:

William James, professor da Universidade de Harvard, pode ser considerado o fundador do Funcionalismo em Psicologia, esta pode ser considerado a primeira sistematização de conhecimentos em Psicologia, uma Psicologia que por ser construída numa sociedade pragmática, que segundo Bock (2003) está voltada para seu desenvolvimento econômico, e preocupa-se em responder “o que fazem os homens” e “por que o fazem”.

Os estudos funcionalistas elegeram a consciência como o centro de suas preocupações e traçaram como objetivo a busca pela compreensão de seu funcionamento. A consciência e seu funcionamento são de grande interesse para os pedagogos, já que eles trabalham com as diferentes formas de raciocínio, memória, etc.

Associacionismo:

O Associacionismo foi criado por Edward Lee Thorndike e é resultante de um processo de associação de ideias, das mais simples às mais complexas, resultando assim nas diversas ações humanas.

Nesta que pode, segundo Bock (2003), ser a primeira teoria da aprendizagem, surgiu a Lei do Efeito. Segundo essa lei, todo comportamento tende a se repetir se for recompensado. Por outro lado, o comportamento tenderá a não acontecer se for castigado.

Você provavelmente já presenciou a recompensa ou punição de comportamentos, seja na escola ou no seu dia a dia. Essa é uma teoria que muitos pais e professores costumam utilizar quando educam seus filhos ou alunos. Você estudará, um pouco mais sobre esta escola psicológica no próximo modulo.

Psicologia Escolar: Origem Histórica

Você aprendeu um pouco da história da Psicologia como ciência, agora seus estudos se voltarão para a Psicologia da Educação, um campo ou área de atuação derivada da Psicologia como ciência.

A Psicologia da Educação surge do resultado do interesse tanto de psicólogos quanto de educadores em aplicar os conhecimentos desenvolvidos pela Psicologia, inclusive seus métodos de estudo, a educação.

Você pode deduzir, a partir do conteúdo já estudado, que a história da Psicologia da Educação confunde-se com a história da Psicologia como ciência e com a evolução das ideias pedagogia. Vejamos: A área de estudo voltada para a educação só surgirá, pelo menos com a nomenclatura de Psicologia após 1890.

Nesse período as teorias educativas vigentes, ou seja, a concepção de como a educação escolar deveria se organizar estavam voltadas para as faculdades ou funções cognitivas. A educação tinha como principal finalidade exercitar as funções cognitivas dos alunos, tais como, a inteligência, a memória, a atenção, a concentração, priorizando assim a transmissão dos conteúdos.

Thordinke, autor que você já teve uma breve noção de sua teoria, defendia, segundo Coll (2000), que as propostas educacionais devem ser baseadas nos resultados das pesquisas científicas. Com a teoria do Associacionismo, Thordinke lançou as bases para o entendimento de que a prática educativa deve ser orientada pelo conhecimento psicológico sobre o processo de aprendizagem.

Claparède, outro pesquisador da Psicologia, colaborou com a criação do Instituto de Psicologia Aplicada à Educação, pois estava convencido de que a ciência psicológica tem papel primordial na elaboração de uma pedagogia científica. Este estudioso reforçou a ideia de que a prática pedagógica deve estar embasada nos conteúdos sobre o desenvolvimento humano. Com estas ideias estabeleceram-se as bases para a constituição da psicologia do desenvolvimento, área de fundamental importância para as práticas pedagógicas. (COLL, 2000).

Recapitulando, a Psicologia da Educação se delineia e caracteriza como uma área para onde convergem interesses e questionamentos sobre a aprendizagem e tudo que a ela se correlaciona, direta ou indiretamente, especialmente as questões ligadas ao ensino e a aprendizagem escolar.

Contudo, ainda segundo Coll (2000) três campos de interesse se sobressaem, constituindo-se no núcleo da Psicologia da Educação: que você pode sintetizar assim, era do âmbito investigativo da Psicologia da Educação o conhecimento sobre a criança, de modo que as diferenças individuais pudessem ser reconhecidas, estudadas e consideradas na análise dos processos de ensino aprendizagem, e para, além disso, ainda importava elaborar testes psicológicos que se prestassem como instrumentos de medição, de quantificação dessas diferenças. Contudo, há três focos principais de estudo, que são:

  • O estudo e a mensuração das diferenças individuais, bem como as mudanças de comportamento do sujeito, vinculados a sua participação em situações educativas
  • A análise dos processos de aprendizagem, desenvolvimento e socialização
  • Desenvolvimento infantil.

Natureza, dimensão epistemológica, fundamentos científicos da Psicologia da Educação

A Psicologia da Educação, em razão de sua natureza, em face dos resultados de suas pesquisas e do alcance objetivo dos mesmos para a prática pedagógica, tem sido reconhecida como disciplina psicológica e educativa de natureza aplicada, ‘disciplina ponte’, conceito que você verá a seguir.

A Psicologia da Educação por ter natureza e origem, híbridas, gera divergências entre seus estúdios quanto às considerações sobre sua autonomia epistemológica. Segundo Coll (2000) existem basicamente três correntes ou posicionamentos, a esse respeito, que você verá as seguir:

1. Existe uma corrente de especialistas que entende a Psicologia da Educação como sendo apenas a terminologia empregada para designar o corpo de princípios e explicações alcançados pela Psicologia, decorrente de uma seleção de conceitos próprios de outros segmentos do saber psicológico, como a Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento etc., aplicáveis à situação educativa.

2. A Psicologia da Educação é entendida como uma disciplina com autonomia científica e didática, uma vez que tem já determinados objetivos e conteúdos bem como, programas de pesquisa próprios, e realiza contribuições originais e significativas para as práticas pedagógicas.

3. A Psicologia da Educação é entendida como uma “disciplina ponte”, com um objeto de estudo, alguns métodos, marcos teóricos e conceitos próprios, caracterizando-se como uma disciplina de natureza aplicada. Você pode ter como exemplo, o estudo e a mensuração das diferenças individuais, bem como as mudanças de comportamento das pessoas, vinculados a sua participação em situações de ensino e aprendizagem.

Objeto de Estudo da Psicologia da Educação

A Psicologia da Educação tem estudado os processos educativos orientada por objetivos que segundo Coll (2000) podem ser divididos em três dimensões:

1. Dimensão Teórica ou Explicativa: nela são estudados os processos educativos com o objetivo de contribuir para a elaboração de uma teoria que explique destes processos.

2. Dimensão Projetiva ou Tecnológica: estudam os processos educativos com o objetivo de elaborar modelos e programas de intervenção voltados para as práticas pedagógicas.

3. Dimensão Prática ou Aplicada: estuda os processos educativos com o objetivo de colaborar para a construção de práticas pedagógicas coerente com as propostas teóricas formuladas.

Objeto e conteúdo dos Estudos da Psicologia da Educação

Você estudará agora as consequências para a Psicologia da Educação de ser classificada como uma disciplina-ponte, de natureza aplicada.

Por ser classificada dessa forma, segundo Coll (2000) decorrem algumas situações, como você pode constatar:

A definição de seu objeto de estudo: os processos de mudança comportamentais provocados ou induzidos nas pessoas, como resultado de sua participação em atividades educativas. A sistematização dos fatores ou variáveis interferentes nas situações educativas, direta ou indiretamente, em dois grupos, como você verá no quadro abaixo:

 

BIBLIOGRAFIA

BOCK, Ana Mercês et. al. Psicologias: uma Introdução ao Estudo de Psicologia.13ª ed. São Paulo: Saraiva, 2003.
COLL, César et. al. (Org.). Psicologia do Ensino. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.

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