Educação na antiguidade clássica: os Gregos

A Educação na Idade Antiga

Compreender os fatores históricos que influenciam os valores educacionais da educação contemporânea.

Relacionar os ideais educacionais da antiguidade clássica e sua importância para o desenvolvimento do homem e da sociedade.

Identificar os legados culturais e educacionais greco-romanos em nossa educação.

 

Os gregos

A civilização grega pode ser considerada o “berço da pedagogia”. Foram eles que criaram a palavra paidéia, que significa criação de meninos. Com o decorrer do tempo, esta palavra teve seu sentido ampliado, o qual apresentou as linhas básicas da ação pedagógica que influenciou a educação do ocidente por inúmeras gerações.

1. A educação grega

Na Grécia clássica, o uso da razão, da inteligência crítica promoveu o desenvolvimento individual, o qual era capaz de criar leis humanas que estariam ligadas ao destino dos cidadãos homens livres. A educação grega centrava-se na formação integral, corpo e espírito, que deslocava sua ênfase conforme a política da época ou local. Inicialmente a educação era ministrada pela família. Com a criação das polis, começaram a serem criadas as primeiras escolas.

1.1 A educação espartana.

No século IX a.C. o legislador Licurgo organizou o Estado e a educação de Esparta, que valorizava as atividades militares desenvolvendo em sua região uma educação severa e controlada pelo Estado. O objetivo desta educação era proporcionar ao espartano a perfeição física, coragem e o hábito de obediência para que se transformasse em bom soldado, já que a política da eugenia buscava o melhoramento da espécie, e recomendava abandonar aqueles que nascessem com deficiência. Baseados nessa ideia buscavam fortalecer as mulheres para que gerassem filhos sadios. Devido à educação rigorosa Esparta não obteve em sua sociedade um esplendor artístico e filosófico. Não eram apreciadores de debates ou discursos, pois eram lacônicos, falavam pouco.

Os meninos até aos 07 anos, viviam com a família, e após esta idade ficavam a cargo do Estado que lhes fornecia educação pública obrigatória. Viviam em casernas, trabalhavam para seu sustento e dedicavam-se ao estudo da música, canto, dança coletiva e ginástica. Até aos 12 anos participavam de atividades lúdicas, e preparavam-se para sobreviver suportando desconforto e castigos. Dos 18 aos 20 anos estudavam sobre manobras militares e como manejar armas. Dos 20 aos 30 treinavam as lutas para a guerra. Aos 30 anos tornavam se maiores e continuavam a se dedicar totalmente ao Estado.

1.2 Educação ateniense.

Atenas, outra polis grega, estruturou a finalidade do Estado na ideia de assegurar ao cidadão, a liberdade pessoal para assegurar condições vantajosas em relação a sua educação. O ensino era supervisionado pelo Estado, porém não era obrigatório e nem gratuito. Os pais cuidavam de orientar e preparar seus filhos para a vida em um ambiente de liberdade. A educação começava aos sete anos e os meninos passavam a ser educados pelos pedagogos, que eram escravos ou servos cultos. Eles dirigiam se à palestra, onde praticavam atividades físicas. Os meninos frequentavam dois tipos de escolas: a de música e a de ginástica ou palestra.

O ensino elementar de leitura e escrita era ministrado pelo mestre, que era uma pessoa humilde e mal paga. Ele ensinava as crianças a escreverem e fazerem cálculos, com o auxílio do ábaco. Essa educação completava se aproximadamente aos 13 anos. Aqueles desfavorecidos economicamente buscavam aprender um ofício para poderem trabalhar. Os que pertenciam a famílias abastadas continuavam seus estudos no ginásio. Dos 16 aos 18 anos, dedicavam se a preparação militar, a efébia. Após o serviço militar não ser mais obrigatório a efébia passou a ser a escola de filosofia e literatura.

Com os sofistas teve início o ensino considerado superior na Grécia antiga. Eles eram professores que percorriam as cidades ensinando as ciências e artes, de maneira sistemática e prática, principalmente a eloquência, em troca de pagamentos por seus trabalhos intelectuais.

1.3 Os filósofos gregos e a educação.

Sócrates- buscou definir o problema do conflito educacional grego que centrava se entre o interesse social e o individual. Para ele o fim da educação era transmitir o saber mediante o desenvolvimento do pensamento da pessoa. Ele buscava demonstrar o conhecimento das verdades universais. Os métodos utilizados por Sócrates eram: Ironia e Maiêutica.

O método socrático: Ironia- “pergunta, fingindo ignorar”.

Maiêutica- “fazer outras perguntas para que o interlocutor descobrisse a verdade”.

Platão- concordava com seu mestre Sócrates, sobre a necessidade de se procurar uma nova base moral para a vida centrada na verdade universal. Ele desenvolveu a dialética de Sócrates e a definiu como um “contínuo discurso consigo mesmo”. A educação para ele abordava a atividade que cada um desenvolvia para conquistar as ideias e viver de acordo com as mesmas.

Aristóteles- afirmava que a realização humana consistia no desenvolvimento de suas capacidades físicas, morais e intelectuais, as quais lhe trariam a felicidade. Ele desenvolveu seu conceito educacional partindo da ideia da imitação. Para ele aprendemos repedindo os atos de outras pessoas. A influência aristotélica é encontrada até hoje em nossa linguagem diária.

Os romanos

Neste segundo módulo você vai estudar a educação ocidental representada pela civilização romana.

Os romanos possuíam uma mentalidade prática; viveram para as guerras e conquistas contribuindo dessa forma para a cultura, em relação à educação e a elaboração das leis.

1.4 Educação romana.

Como você estudou e conheceu partes da cultura educacional grega, agora irá avaliar a cultura do povo romano, que influenciou de maneira fundamental os demais povos do ocidente.

A educação de Roma baseava se numa mentalidade prática, a reflexão filosófica não mereceu atenção de maneira sistemática. Eles adotaram uma postura pragmática, voltada para o dia a dia, para a ação política e não para a contemplação filosófica.

O desenvolvimento da educação romana acompanhou o crescimento sociopolítico, que foi dividido em três períodos Realeza, República e Império. Inicialmente, por ser uma sociedade rural e militar, a instrução latina ficava centralizada na família, onde o pai era o responsável por transmitir os valores morais, políticos e econômicos. Essa aprendizagem era baseada no cotidiano, através da imitação, que era reforçada por exemplos vivenciados pelos antepassados da família e da comunidade.

1.5 Educação cosmopolita.

No período republicano, devido à expansão socioeconômica e territorial, a emergente sociedade romana, adotou outra maneira de educar. Foram criadas as escolas conhecidas como Ludi, onde os mestres ensinavam leitura e cálculo. Mediante o contato com os povos helênicos, a educação foi influenciada por outros elementos culturais, pois os professores gregos ensinavam seu idioma, nas escolas dos gramáticos, dando início a formação bilíngue dos romanos.

A educação enciclopédica, baseada na tradição helenística, deu origem às escolas superiores, frequentada pela elite que se preparava para a vida pública, excluindo a massa populacional.

1.6 Representantes da Educação romana.

A produção filosófica e pedagógica romana é pequena e seus principais representantes surgiram por volta dos séculos I a.C e I d.C. Foram eles: Cícero- valorizava a cultura geral do homem, para que esse desenvolve-se suas individualidades e pudesse atuar na vida profissional como orador; Sêneca- estabelecia que a educação deveria preparar o homem para a vida. Quintiliano- foi o primeiro reitor oficial do governo de Vespasiano. Ele defendia a educação em seu aspecto técnico e prático, fundamentando-se na escolha individual do educando, a qual se baseava em suas peculiaridades psíquicas, previamente conhecidas pelo professor.

1.7 A educação no Império.

A educação no transcorrer do Império, sofreu a intervenção do Estado, por meio da legislação e por fim este assumiu toda responsabilidade educacional romana. O Estado criou escolas municipais em todo o Império e foram criadas inúmeras bibliotecas.

Porém, a educação passou a se limitar à classe social mais elevada e não se destinava ao povo.

O problema de corrupção política administrativa proporcionou a decadência do Império e de seu sistema educacional, que foi substituído pela educação ministrada pela primitiva Igreja Cristã.

Resumo:

Os objetivos da educação espartana eram basicamente militares, pois constantemente estavam em guerra. O Estado tinha amplo domínio sobre a educação em Esparta.

Em Atenas, o objetivo educacional estava centrado na formação completa do homem e o Estado assegurava a eles a liberdade de escolha em relação à educação. Os sofistas, professores ambulantes, proporcionavam uma educação individual, valorizando a liberdade, o ceticismo e sua utilidade.

#Sócrates, filósofo grego, desenvolveu teorias sobre a educação e criou os métodos: maiêutica e ironia. Platão, discípulo de Sócrates, prosseguiu as ideias do mestre desenvolvendo o método dialético.

# Aristóteles desenvolveu o conceito da educação partindo da ideia da imitação. Ele afirmava que a educação era o bem moral que conquistava a felicidade humana.

#A civilização grega se espalha pelo mundo conhecido da época e sua educação se torna universal.

#O ideal da educação romana centrava-se na concepção de direitos e deveres. A instrução era utilitarista e militar.
Possuíam uma mentalidade prática e aprendiam mediante a imitação. Por isso a família desempenhava importante papel na educação.

# Os teóricos romanos apresentavam um caráter pragmático e seu estilo era retórico.

# O poder militar romano possibilitou a conquista de inúmeras províncias as quais passaram a utilizar o idioma latim. Ao conquistar a Grécia, assimilaram muitos elementos culturais que foram transmitidos a sua educação.

# Os espartanos eram treinados jovens para a pratica militar desde cedo o Estado assumia para o treinamento, eram desligados de suas famílias e adultos participavam das guerras.

 

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